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 psycologo


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Colocada: 05/07/07 Assunto: Eneagrama - Parábola |
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Para ter uma ideia, da filosofia do eneagrama: uma forma de auto-conhecimento e de encarar os outros
Parábola da casa redonda…
Imagine uma casa redonda, com nove quartos e janelas voltadas para fora. Em cada quarto mora uma pessoa que, através da janela do seu quarto, vê a paisagem ao redor da casa. A paisagem que rodeia a casa é única e forma um todo em si mesma, mas cada pessoa vê apenas um pedaço dessa paisagem, conforme o ângulo que a sua janela lhe permite ver. Para ter uma visão completa da paisagem, a pessoa precisaria passar por todos os quartos e olhar de todas as janelas...
Na realidade, cada pessoa vive no seu próprio quarto, embora de vez em quando visite outros quartos: geralmente, quando a pessoa está bem e atravessa uma boa fase de sua vida, ela passa mais tempo num outro quarto, de onde vislumbra detalhes mais bonitos e ensolarados da paisagem. Em fases menos boas ou quando a pessoa não está bem, ela geralmente refugia-se num outro quarto, cuja janela mostra uma paisagem mais sombria e triste. À medida que a pessoa vai amadurecendo, ela passa a viver mais tempo no quarto de janelas ensolaradas que, embora não sendo seu quarto de infância, agora lhe dá a sensação agradável de estar em casa!
Cada quarto tem a marca da pessoa que nele habita. Foi ali que a pessoa cresceu. Por onde andou, carregou às costas aquele quarto. ‘Cada um olha a realidade com os olhos que tem e a interpreta a partir de onde tem os pés’. Assim pode dizer-se a respeito dos habitantes dos quartos da casa redonda. No entanto, cada pessoa não está condenada a morar eternamente nesse quarto. Há um caminho que chama a pessoa a sair de seu quarto e a percorrer o labirinto de portas e corredores até conseguir livre-trânsito pelos vários quartos e subir uma escada que se ergue no centro da casa, permitindo olhar a paisagem como um todo, à medida que se eleva a sua vista.
A utopia da Casa Redonda é esta: cada pessoa poder andar de quarto em quarto e ver a paisagem de todos os ângulos, subindo a escada central para ter a visão do todo. Se cada pessoa se fecha no seu quarto, o seu destino estará inevitavelmente condenado ao limite, à parcialidade e ao mofo interior. Mas se cada um encarar a aventura de sair do seu quarto e pisar o chão desconhecido dos outros quartos, enfrentando corredores e labirintos às vezes sombrios, então poderá enxergar novos horizontes e novos matizes de uma paisagem que sempre esteve lá, embora os seus olhos não a pudessem ver, limitados que estavam por uma janela que os condicionava e enquadrava!
A Casa Redonda também poderia chamar-se a casa da Parcialidade ou a casa da Complementaridade. A Casa Redonda poderia chamar-se a utopia da totalidade, da inteireza, da plenitude. Não é fácil percorrer os labirintos da Casa Redonda. Há riscos, medos, inseguranças, e há sempre a tentação o retorno ao conforto daquele pedaço de chão que nos é familiar: o espaço do quarto em que fomos educados. Além disso, há vícios arraigados, que fazem a pessoa refugiar-se em determinado quarto quando não se sente bem... como se de um refúgio se tratasse, embora na realidade esse quarto destrua a pessoa.
Sair do quarto é assumir riscos, numa aventura de ir além dos seus condicionamentos e enfrentar o novo e o desconhecido. Mas esse é o preço inevitável da liberdade de ser e da felicidade de ser livre e inteiro!
A chave do quarto sempre está pelo lado de dentro. Às vezes, a porta está emperrada, de tanto permanecer fechada... e aí talvez alguém de fora precise bater para acordar quem dorme dentro! Mas, apesar de tudo, essa porta nunca pode ser aberta pelo lado de fora...
Fonte: José Luís Gonçalves, Dr. |
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