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vita



Moderador

vita está offline 
Colocada: 01/09/06    Assunto: O GÊNERO DO SER HUMANO Responder com Citação

O texto é longo mas elucidativo.. :wink:

A consciência da própria condição de gênero, a própria crença do ser homem ou mulher é o melhor referencial na classificação de gênero. Na identidade de gênero, e na autonomia individual de gênero, inclusive na designação do registro civil.

Nos humanos, existem núcleos neurais gênero diferenciados. Esses núcleos promovem reações autônomas a estímulos, que terminam por estampar na memória emocional do indivíduo vivências gênero diferenciadas.

Tal diferenciação neural leva à formação da identidade neuropsíquica de gênero a qual não está necessariamente em harmonia com a conformação genital e/ou a criação.

O transexualismo, é uma disforia de gênero, um problema biológico e congênito; uma discordância entre dois sistemas biológicos: o neural e o genital. Mas o neural prevalece, porque determina o si mesmo neuropsíquico da pessoa.

Só de transexuais existem aproximadamente 4 milhões de disfóricos no mundo.

A pessoa tem todos os direitos sobre a sua classificação de gênero.

Terceiros não podem classificar o gênero de uma pessoa à revelia de sua vontade.

A pessoa é autônoma na definição de sua identidade, sendo agente do reconhecimento e retificação pessoal.

Nenhuma visão de mundo, de sociedade, de valores ... pode desconsiderar a autonomia da pessoa, da cidadã, da paciente.

O ser humano é um organismo em contato perpétuo com um ambiente, que se auto-referencia nesse ambiente, de forma autônoma, como pessoa. Como agente de sua realidade e de sua identidade e, jamais, como paciente.

É, não podemos ignorar a compreensão das pessoas sobre si mesmas, sobre quem são, como se vêm, como se compreendem e como se sentem.

Senão não serão pessoas, mas coisas. Não podemos classificar o outro como coisa, reificando-o; e ao mesmo tempo devemos respeitar sua auto-classificação como pessoa.

O respeito pelo como o outro se auto-reconhece e como quer ser reconhecido são imprescindíveis em qualquer modelo teórico referente à identidade da pessoa humana, e com relação a qualquer atributo de sua identidade.

Não é ético definir exogenamente modelos, sejam eles quais forem, e depois considerar herege, pecador, anormal ou psicopata quem não se adapta às nossas teorias ou pontos de princípio,
simplesmente pela sua inadaptação à nossa maneira de simular a realidade. Na realidade nós mesmos, querendo tornar absoluto nosso modelo teórico identificando-o de maneira absoluta com a realidade, estamos evidenciando nossos desvios por não nos apercebermos bem da realidade. Devemos ter a consciência e o equilíbrio para percebermos que o desvio da realidade nesse caso
está em nós e em nossa forma perversa de tornar absoluto o nosso modelo, e não no outro, no não adaptado.

Países ainda sem legislações de gênero preservam a conformação genital como base de classificação de gênero e considera freudianamente a psique humana como gênero indiferenciada no nascimento e o reconhecimento dos genitais como fonte fundamental de auto-identificação.

Esses Países Ignoram os processos neurais intra-uterinos e considera a influência e construção social a base da formação do gênero da identidade como um processo psicossocial construído na primeira infância.

Esse modelo heterônomo tradicional é profundamente reducionista. Reduz classificando e torna absoluta como verdade sua classificação. É anti-ético porque a pessoa (ainda como bebê) é classificada por outros à partir de critérios e categorizações determinados por outros, de forma autoritária. A pessoa não é agente mas paciente na definição de sua realidade e identidade.

Esse modelo tradicional não é científico porque o modelo desconsidera inúmeras evidências neurobiológicas em seres humanos e resultados clínicos, mostrando evidentemente enormes debilidades e possibilidades de se mostrar falso em inúmeras situações.

Esse modelo tradicional de gênero , não é ético, não científico e discriminam os seres humanos , tornando-os social e profissionalmente muito muito discriminadas, e a maioria delas termina trabalhando como profissional do sexo ou como profissional da indústria erótica, por exclusão social e conseqüente falta de oportunidade profissional - o que é uma conseqüência do modelo teórico vigente, e um de seus aspectos mais perversos e anti-éticos.

O Conselho Federal de Medicina - CFM em sua Resolução CFM 1482/97 reconhece que esses casos precisam ser tratados por cirurgias de transgenitalização --- esta é a prática preconizada pela HBIGDA, e adotada na maior parte do mundo ocidental .

O neural pode ser considerado a estrutura do psíquico, como o psíquico a linguagem do neural Temos que compreender que essa tradução não é uma redução simplificadora da realidade, mas a realidade ôntica mais profunda da vivência psíquica.

Mesmo Eccles, cientista católico, conferencista da Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano e prêmio Nobel de medicina, considera que o neural e o psíquico são de forma ôntica inter-relacionados obrigatoriamente, tendo inclusive aventado um modelo quântico para essa tradução.

Com base nisso se alicerça o nosso conceito atual de morte. A morte cerebral, mesmo que não visceral, autoriza a remoção e os transplantes de órgãos, porque subjacente a essa morte cerebral, neural, talâmica e hipotalâmica, que hoje a medicina e a academia consideram como efetiva, sabemos ser inegável a morte psíquica que a traduz, a morte do eu, do si mesmo. Neural, e portanto psiquicamente, aquele ser, aquele eu está morto, mesmo que se mantenham os órgãos vivos. Senão, em cada transplante e remoção de órgãos, teríamos que admitir que estaríamos cometendo um assassinato.

A identidade de gênero como crença profunda. Nosso ser é nossa crença mais profunda. Sabemos que existimos, que somos alguém. Podemos dizer que nossa auto-referência se molda desde o início de nossa existência, desde o útero, num meio ambiente intra-uterino em que, com a mãe, formamos um universo particular, e depois com a imersão num novo universo, esse processo tem continuidade e amadurece, vindo um dia a se tornar consciente. Nesse universo intra-uterino se organizam os sistemas neurais gênero-diferenciados que podem ser afetados pelo meio ambiente intra-uterino condicionado pelo estado emocional, imunológico e hormonal das mães.

Todos nós concordamos que a primeira infância produz marcas profundas em nosso ser. Muito mais profundas ainda terão que ser as experiências traumáticas vividas nesse universo do útero. Porque essa vivência é a base de tudo e a mais fundamental. Ela faz parte de nossa primeira construção, e não é puramente genética e determinista: dela participa decisivamente o meio ambiente intra-uterino como contingência. O ser humano, para ser construído, precisa da proteção de um universo particular - um útero - tão sensível ele é para qualquer problema na construção. O útero e a placenta funcionam como filtros que protegem o feto de interferências externas. Mas ele estará sempre nesse meio ambiente que o protege na maioria das vezes, mas dependendo do estado emocional e de saúde da mãe, poderá se reverter essa proteção. Ele pode somatizar uma não masculinização neural se a mãe tiver um estado de stress muito forte e continuado, por produzir pouca testosterona nas células de Leydig, por interferências do sistema imunológico da mãe, por exemplo. O mesmo pode acontecer, se ela tiver um estado infeccioso.

Portanto, o feto humano, mesmo super protegido, corre riscos que perpetuarão suas conseqüências principalmente no neural e no psíquico.

Cada ser humano adulto sabe ser homem ou mulher, como uma crença profunda (salvo casos muito especiais, que não podem ser ignorados, em que ocorre uma identidade andrógina. Como a diferenciação do SBN participa na formação dessa crença? Procuraremos analisar a dinâmica do que ocorre numa criança disfórica de gênero do tipo 2 - no caso uma menina (pois terá identidade feminina) com genitais masculinos - quando se poderá evidenciar melhor os fatores que interferem nessa dinâmica. No caso de crianças normais, como ocorrem sempre reforços positivos, não se percebe com clareza a dinâmica do processo de formação do gênero da identidade.

Neste sentido o paradigma atual de gênero dos países tradicionais tornou-se inadequado mesmo explicando a maior parte dos casos, mostrando-se desgastado quando aplicado a uma série de situações de disforia e androginia (entre 14 e 15 milhões de pessoas no mundo conforme critérios já apresentados anteriormente) e equivocado ao desconsiderar a diferenciação neural de gênero e suas inevitáveis conseqüências na psique, e por ser aético, desconsiderando a autonomia da pessoa humana, em todas as situações.

O próprio Freud, cujos pontos de princípio embasaram o modelo atual, sempre admitiu, demonstrando sua coerência e grandeza de espírito que, com o crescimento do conhecimento sobre as diferenciações sexuais, suas idéias poderiam ter que ser revistas.

O paradigma freudiano precisa ser revisto, como ele mesmo previu.

Money 1994, muito pressionado, finalmente flexibilizou seus pontos de princípio freudianos em sua base e construtivistas sociais em sua dinâmica até então inflexíveis, o que já era um sinal de que ele mesmo notava que suas idéias começavam a se mostrar equivocadas e insustentáveis, e Diamond 1996 faz um excelente e abrangente comentário sobre esse fato e suas conseqüências - vide também Reiner 1997; Freitas 1998; Wilson 1999; Fausto-Sterling 2000; Colapinto 2000.

Uma quantidade significativa de pessoas se sentem não adaptadas numa das coisas mais fundamentais que é o seu reconhecimento como homem ou mulher e que, por isso, são marginalizadas pelo paradigma atual, que as considera psicóticas (portadoras de GIDs- CID-10, F.64.0) simplesmente por manterem suas crenças sobre si mesmas, apesar do modelo teórico vigente. Só este fato já julgamos ser importante para que procuremos um paradigma que contemple de forma mais abrangente a vida humana.

O gênero do ser humano é um grande desconhecido fora da auto-referência do indivíduo. Portanto o enquadramento jurídico do gênero não deve poder estar em discordância com a auto-referenciação de cada (e de todo) ser humano, em nenhum caso, sem exceções. Um único registro no momento do nascimento, realizado por terceiros à revelia da pessoa como coisa definitiva e reificante certamente não é o sistema mais adequado.

O sistema de registro em dois estágios: um provisório com base nos genitais ao nascer, e um posterior, com base na auto-referência do indivíduo, após seus 10 a 14 anos.

Na Holanda, onde se estabelece um segundo estágio de registro entre os 16 e os 18 anos de idade - mas existe o reconhecimento acadêmico ( que o segundo estágio deve vir a ser antecipado. Só depois pode haver a classificação definitiva do gênero do indivíduo.

O conceito de gênero de que homens têm pênis e mulheres vaginas, e no conceito de sexo de criação, ignora a gênero neuro-diferenciação do feto humano e seu papel na formação da psique.

Ser homem ou ser mulher não depende apenas de cromossomos, gônadas, produção endógena de hormônios sexuais e da conformação genital externa.

O transexualismo, é uma disforia de gênero, um problema biológico e congênito; uma discordância entre dois sistemas biológicos: o neural e o genital. Mas o neural prevalece, porque determina o si mesmo neuro-psíquico da pessoa. Então, se existe uma desordem ela é genital e precisa ser corrigida, porque a pessoa como si mesma, acima de tudo , precisa ser respeitada.
Retirado do site http://www.bccclub.com.br


actosexual





actosexual está offline 
Colocada: 01/09/06    Assunto: Responder com Citação

Informações sobre uma questão muitas vezes marginalizada.
Obrigado Vita!


rantamplan





rantamplan está offline 
Colocada: 01/09/06    Assunto: Responder com Citação

Uma pergunta às mulheres do forum:

como vêem os transexuais?


raiodsol





raiodsol está offline 
Colocada: 01/09/06    Assunto: Responder com Citação

rantamplan escreveu:
Uma pergunta às mulheres do forum:

como vêem os transexuais?

Com os olhos!
E s estiver escuro: às apalpadelas! (Ou será às apalpadeles? :-# )
RdS
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