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casalsac





casalsac está offline 
Colocada: 08/08/07    Assunto: O meu tipo? Responder com Citação

Agora que consegui um tempinho, resolvi debruçar-me sobre esta coisa dos eneagramas e onde me encaixo.
Tal como havia escrito por aqui algures, continuo a afirmar que sou uma mistura destes nove tipos, identificando-me mais com alguns que com outros, é verdade, mas ainda assim uma mistura de todos os nove tipos; e não seremos todos assim?

Ao contrário de algumas pessoas que aproveitam o trabalho, os tempos livres ou a Internet para usufruírem de uma vida dupla, tripla e ainda mais, muito mais, desmultiplicando-se em várias personalidades e personagens (por vezes, uma para cada faceta da sua vida) que depois acabam, ou não, por entrar em conflito, levando a crises de identidade, eu sou aqui exactamente aquilo que sou em qualquer lado e com qualquer pessoa.

Cada indivíduo é único, é uma entidade resultante de três factores: a mistura genética de dois indivíduos completamente diferentes entre si (e que nunca se misturam da mesma forma); a sua própria aprendizagem; o seu contexto social. Como tal, adquirirá pedaços dos outros que tomará por pedaços seus e que o formarão enquanto unidade. Ou seja, irá adquirir pedaços das personalidades dos outros com os quais formará a sua própria personalidade. O segredo estará em conseguir obter o melhor de cada um...

Os eneagramas serão úteis na medida em que a sociedade usa o estereótipo como mecanismo de defesa individual no contacto com coisas novas. Ao entrar em contacto com uma pessoa desconhecida somos levados a observar a forma como se veste, como fala, como age, etc. e a encaixá-la num determinado estereótipo. Assim, podemos ver uma mulher vestida de preto, lenço na cabeça, manga comprida, saia comprida e sapatos rasos: uma cigana a quem morreu um parente próximo; pode ser a pessoa mais séria do mundo, no entanto, será estereotipada e ficaremos de pé atrás acerca das suas intenções só pelo facto de ser de etnia cigana. Isto é útil. Já salvou muitas vidas e continuará a salvar: ao ver algo rastejante, comprido, que se desloca aos ésses, identificamos imediatamente como cobra e fugimos ou ficaremos atentos, no entanto pode ser apenas um pedaço de plástico impulsionado pelo vento, mas, se fosse uma cobra, estes sinais proteger-nos-iam de uma possível mordedura fatal.
Assim servirão os eneagramas. No entanto, tal como os estereótipos, podem induzir-nos em erro, pois as primeiras impressões são as mais importantes e têm tendência a perdurar. Quantas vezes fomos apresentados a uma pessoa que já nos tinha sido categorizada como uma pessoa má, egoísta, etc. As primeiras impressões terão isso em conta e todos os sinais que essa pessoa nos transmitir serão interpretados de acordo com o que nos haviam dito dela, ainda que ela não seja assim. Cada pessoa deverá ter a capacidade de se alienar dos pré-conceitos e analisar os outros independentemente dos estereótipos antes de as categorizar.

Uma pessoa não é essencialmente de um tipo de eneagrama, é antes um conjunto de várias partes dos diversos eneagramas e tentar encaixá-la num dos tipos é estereotipá-la, o que será prejudicial na interpretação que qualquer técnico de saúde mental possa fazer acerca de determinado indivíduo.

De acordo com a Parábola da Casa Redonda, já estive nos nove quartos, espreitei por todas as janelas, gostei mais de umas vistas do que de outras e, não me identificando com apenas um deles, resolvi subir ao telhado e obter uma vista abrangente e a utopia tornou-se em realidade.
Não uso apenas as minhas qualidades, isso seria desperdiçá-las; faço uso dos meus defeitos pois só assim os poderei superar. A prática é essencial para o aperfeiçoamento. Ninguém nasce ensinado, poderá nascer com aptidões, mas se não as desenvolver não passarão de aptidões mesmo. A capacidade de raciocínio, por exemplo, é algo que se pratica ao longo da vida. O facto de possuir uma quantidade de neurónios acima da média não faz de quem quer que seja uma pessoa com elevada capacidade de raciocínio. Terá mais apetência para isso, mas se não praticar cálculo, se não ler, ou seja, se não executar tarefas que proporcionem a multiplicação de ligações sinápticas entre os neurónios, não poderá usufruir dessa superioridade de neurónios; será como duas metrópoles extremamente desenvolvidas que atrofiarão se estiverem ligadas por uma estrada com apenas uma faixa de rodagem para cada lado. Se estas cidades tiverem uma auto-estrada de várias faixas de rodagem poderão empreender comunicações que lhes irão permitir desenvolver ainda mais.

A motivação é tida como o factor mais decisivo e a característica fundamental para encaixar a pessoa num determinado tipo de eneagrama. (ponto 5 da dinâmica inconsciente da personalidade).
Vejamos:
Tipo1 – Quem não tem acessos de ira? Por vezes por razões que para outros não têm qualquer significado, mas todos têm os seus acessos de ira. Sentir vergonha por isso ou nem sequer admitir que estou a ser agressivo não faz parte de mim. Já procurar porque se desencadeou essa reacção, sim.
Tipo 2 – Não seria normal se não sentisse orgulho das minhas realizações, dos meus filhos, etc. Não me tem dificultado o acesso a mim mesmo e muito menos a Deus, pois, desde que me lembro, são duas coisas que procurei e acabei por encontrar, se bem que acerca da última tenha uma concepção muito própria, sem no entanto o querer impor a quem quer que seja.
Tipo 3 – Quem nunca mentiu, enganou ou pelo menos tenha omitido a verdade em nome de algo melhor? Fazê-lo sistemática ou compulsivamente é que não e muito menos fazer da minha vida uma mentira. Talvez por isso mesmo tenha apenas uma personagem para todas as facetas da minha vida.
Tipo 4 – Por vezes cometo equívocos, mas normalmente consigo avaliar as capacidades e defeitos das outras pessoas, no entanto isso não é motivo para sentir inveja delas, nem usar isso contra elas ou a meu favor. Cada qual é como é e sei aceitá-las tal como elas são.
Tipo 5Cobiçar o que a outros pertence não fará com que a mim passe a pertencer. Sou coleccionador de bens espirituais e preciso dos outros na minha independência sem, no entanto, ser ganancioso: cada um dará o que puder e quiser que eu agradeço e estou disposto a deixar que outros usufruam da minha colecção, desde que pedido com bons termos.
Tipo 6 – Tenho medo e sei que os medos são fantasmas cerebrais e que me foi incutido logo de pequenino; condicionamentos do meio... Gosto de lealdade e quando no comando partilho-o, pois as opiniões dos outros permitem-nos falhar menos. E se estou no comando devo dar o exemplo e procuro que eu e os que comigo estão cumpram as regras, pois as regras são para todos.
Tipo 7Intemperança: Sou dado a excessos. Mas apenas de quando em vez, não fazendo disso um estilo de vida, pois por vezes as situações ou as companhias a isso levam, mas tenho em atenção aquilo que começa a ser em excesso. Gosto de ser bom no que faço, mas sei que haverá sempre alguém melhor que eu, não sou Deus.
Tipo 8 – Uso de luxúria (especialmente no sexo) e gosto de fazer as coisas bem feitas, tenho “sangue quente” mas não tenho grandes paixões pelos excessos, até porque leva a querer ir sempre mais além e tenho sempre em atenção o respeito pelos outros.
Tipo 9 – Sou preguiçoso, tenho tendência a deixar para amanhã o que posso fazer hoje e se puder ser outro a fazê-lo… melhor. No entanto, não me acomodo nem sou lento no agir: se é para ser feito será feito, mesmo que tenha de ser eu a tomar a iniciativa, desenvolver projectos ou assumir e realizar as tarefas. Não gosto de ser forçado pelos outros a agir mas comprometo-me e faço-o.
Em resumo: exalto-me, mas não sinto vergonha por isso; sou orgulhoso mas não estou cego pelo orgulho; posso mentir ou enganar alguém desde que seja um mal menor; sei avaliar os outros sem ser invejoso; tenho sede de saber sem no entanto cobiçar o que a outros pertence; tenho medos e sei porquê sem usar subterfúgios para os dissimular; cometo excessos sem ser compulsivo; não arrasto ninguém nos meus excessos; tenho preguiça mas não me acomodo e até tomo a iniciativa.

Ao ler cada eneagrama fui-me identificando com certas partes, mas a justificação presente nesse mesmo eneagrama não condiz com aquilo que na realidade se passa comigo. Por exemplo, no tipo um: quero as regras bem claras, não para saber aquilo que se espera de mim, mas para saber o que esperar dos outros – se existe um traço contínuo, eu não ultrapasso e espero bem que os outros também não. É para isto que servem as regras: para nos sabermos comportar em sociedade, sabermos o que esperar dos outros e o que os outros esperam de nós em determinada situação.

Na verdade, isto dos eneagramas parece-me uma adequação dos sete pecados mortais, mais o medo e a mentira (até porque estes dois últimos não puderam ser instituídos como pecados mortais, uma vez que foi com mentiras e o incutimento do medo que os outros foram avante), às teorias de Freud e da psicanálise. E já agora, quem se achar exclusivamente dentro de um destes tipos é bom que procure ajuda especializada.
E não se esqueçam que tudo começa na infância.
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